domingo, 15 de abril de 2012

E esta é a minha triste vida.

Às vezes tenho nojo de mim. Nesses momentos só me apetecia ser outra pessoa, com uma vida perfeita, sem problemas para resolver. Não deve ser nada normal passar por aquilo que eu passo, nada mesmo! Às vezes só me apetece fugir daqui para um lugar sem gente falsa. Estão todos espalhados por aí... Exemplos? Levas uma coisa nova para a escola, coloca-la no seu devido lugar, e toda a gente diz: 'Ai que linda, fica-te mesmo bem!' E depois quando sais da beira dessa pessoa lá está ela: 'Ahahah, fica-lhe mesmo mal.'; Tens uma nota melhor que os outros e, entre sussurros, lá estão eles: 'Copiou, só pode! Nunca poderia ter uma nota tão boa!'; Levas uma coisa nova, como uma mochila, para a escola, dizem todos: 'É mesmo gira.' e, entre-dentes: 'É mesmo feia, eu é que não andava com aquilo!'; Estás com uma pessoa e ela diz: 'Sou tão gordo/a, devia emagrecer. Mas não queria ficar uma estaca como 'tal'.' E depois dizem que estão a brincar. Ser gordo/a ou magro/a são ambas palavras bastante difíceis de ouvir. Parece mal dizer que uma pessoa é gorda, mas quando é magra, não faltam bocas!; Estás com o teu grupo da escola e um deles diz a outra pessoa: 'És tão giro/a! Tu é que devias ir para modelo. Há pessoas que não podem mesmo ir!', isto com o intuito de dizer que os/as outros/as são feios/as e que não podem entrar em castings ou algo que se pareça, até porque parece que têm algo a ver com o assunto!; e são estes alguns exemplos que dão a mostrar uma pessoa falsa. É triste, mas é verdade. Vivemos numa sociedade de egoístas, e não preciso de dizer mais nada.
Mas voltando ao assunto: gostava de ser outra pessoa, não viver neste Mundo, reencarnar. Estou farta desta vida, que mais parece ser cíclica, a qual não me agrada. Ou talvez, gostava de ter nascido uns anos antes, assim sim, acho que seria totalmente diferente e não seria a pessoa que sou hoje. A pessoa que eu gostava de ser era assim: rapariga sem ciúmes, sem inveja, sem ódio das pessoas que lhe fizeram mal, sem raiva, sem rancor, sem vontade de (...) O aspeto interior é o mais importante para mim. Sim, tenho muitos defeitos, também externos, mas não acho muito correto mudarmos aquilo que nos foi herdado. Talvez uma dia, a minha opinião mude, mas para já, é essa. Gostava de não cometer erros, assim também já não precisava de ouvir sermões. Gostava que alguém me compreendesse de verdade. Sim, porque ninguém é capaz de perceber aquilo que eu sinto, já que sou rapariga com sentimentos para além do normal... Nunca quis magoar ninguém, se o fiz foi sem intenção. Mas o que mais me magoa é não perceberem isso, fazerem de mim a má da fita.
E esta é a minha triste vida.

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